Título:  A Árvore da Mentira
Autora:  Frances Hardinge
Editora: Novo Século
N° de Páginas: 304
Ano: 2016

Sinopse:
Na inóspita ilha inglesa de Vane, em pleno século XIX, os Sunderlys desembarcam, atraindo atenções e suspeitas. Quando o reverendo Erasmus, patriarca da família e proeminente estudioso de ciências naturais, é encontrado morto em circunstâncias obscuras, sua filha, a jovem e impetuosa Faith, está determinada a desvendar o mistério. Para isso, precisará de coragem não apenas para confrontar dolorosos segredos mas também para desafiar as implacáveis tradições da sociedade em que vive. Investigando os pertences do pai em busca de pistas, ela descobre uma planta estranha. Uma árvore que se alimenta de mentiras sussurradas e dá frutos que revelam verdades ocultas. Quando a espiral das sedutoras mentiras de Faith fica fora de controle, ela compreende que as verdades estilhaçam muito mais. Combinação de horror, romance policial e realismo fantástico, esta arrepiante história da premiada escritora britânica Frances Hardinge, autora de Canção do Cuco, promete arrebatá-lo do começo ao fim.


Resenha de minha autoria postada originalmente no blog I Love my books

Esse foi sem dúvida um dos melhores livros de realismo fantástico que já li na minha vida. Quando comecei a lê-lo parecia que estava diante uma obra de Júlio Verne com um enredo cheio de mistério e claro, aventuras. Frances soube criar uma história deslumbrante e bem assustadora.

A família do reverendo Eramus Sunderly está de mudança. Eles estão viajando de Londres para uma cidade que fica bem distante da capital inglesa, devido à problemas com a reputação do estudioso em Ciências Naturais que está sendo culpado de falsificar um fóssil e manchar a imagem dos seus companheiros de profissão.

" Ninguém devia morar aqui se pudesse escolher. Só devem morar náufragos. Criminosos, como condenados na Austrália. E pessoas que estão fugindo, como nós."

Sua família é formada por sua linda esposa e cheia de futilidade Myrtle, sua filha mais velha Faith que é silenciosa e autodidata nos estudos de ciências naturais e afins, mas sabe que nunca será reconhecida poe ser uma mulher e também por causa de seu filho caçula mimado Howard.



Todos vão para essa ilha que foi recomendada pelo tio de Faith - Miles - que aparece como uma chance de fugir dos comentários maldosos e sem fundamentos de amigos e vizinhos que acham que o reverendo é um criminoso e mentiroso para todos. Ao chegar a ilha, eles descobrem que nem tudo é o que eles esperavam. A casa é bem diferente da que tinham e as reclamações de Myrtle são constantes. Já o reverendo, todas as noites se isola na torre para estudar sobre coisas que ninguém sabe. Os moradores dessa ilha são tão perversos quanto as pessoas deixadas em Londres.

" A rejeição doía sempre doía. Parecia que ela nunca teria um calo para protegê-la."

O inferno se inicia quando o jornal londrino chega a cidade e denúncia a real motivação da família Sunderly vim aquele lugar tão deplorável e pequeno. Então, as pessoas começam a esnobar toda família e a profanar comentários perniciosos por todos os lugares sobre Eramus e manchar a paz delicada que os Sunderlys ganharam nesse lugar. Faith não aguenta mais as mentiras sobre seu pai, então começa a ser mais agressiva com todos até que um dia seu pai resolve lhe mostrar um "santuário" onde ele cria uma árvore chamada de Árvore da Mentira que foi um presente de um conhecido e tem sido o objeto de extremo estudo de Eramus e que parece se alimentar de mentiras e conceder verdades inimagináveis aos seres humanos.

Após esse episódio, o pai de Faith aparece morto e desmorona toda a fina tranquilidade que existia naquela família e que piora quando os nativos recusam-se a enterrar Eramus em território local porque acham que o reverendo se matou por não aguentar mais a culpa que guardava em seu coração, porém Faith tem certeza que seu pai nunca se mataria e muito menos morrera por acaso. Em seu coração nascia um ódio mortal e que a levaria as garras da amaldiçoada Árvore da Mentira.

" A menina tropeçava fora da margem segura e imaculada da infância, e entrava agora numa terra de ninguém, nem uma coisa nem outra, como uma sereia."

Faith acaba dando continuidade aos estudos com a árvore macabra de seu pai e se depara com verdades sombrias e devastadoras que machucarão todas suas ideologias e conhecimento de seus pais e principalmente de pessoas próximas. Ela se vê amarrada a uma teia de mentiras e ocultações que é perigosa e que a qualquer momento pode matá-la.

O que será que Faith descobriu com os papéis de seu pai? Qual a real face de Eramus Sunderly? Qual a verdade sobre a Árvore da Mentira? Será que o reverendo realmente cometera um suicídio? O que Faith descobriu com as visitas a árvore amaldiçoada?

"Elas vão agarrar-se a ela, ainda que seja provado que é falsa perante os olhos delas. Se alguém tentar mostrar-lhe a verdade, as pessoas vão se virar contra este e lutar com unhas e dentes."


Faith me lembrou perfeitamente a jovem personagem do livro A menina que não sabia ler, com traços de insanidade e falta de sentimentos, mas com um atrativo a mais: Uma inteligência objetiva e bem trabalhada.

O tio Miles que é um homem com caráter duvidoso e amigos aproveitadores que passa todo o livro sempre sendo o principal suspeito do possível assassinato de seu cunhado. Myrtle, mãe de Faith é uma mulher que utiliza-se de sua beleza para conseguir tudo o que quer, e  é por isso que será alvo de muito ódio de Faith, mas que surpreenderá muito nos capítulos finais do livro.


Os personagens secundários como o apaixonado legista da cidade que é encantado pela recém viúva Myrtle é um homem movido pela racionalidade e que ajudará muito a família que parece ser vítima de uma maldição acolhida pelo falecido Eramus. O reverendo é um personagem a parte. Quem conhece o capitão do submarino mais famoso dos livros de Verne -Nautilus - perceberá que Eramus é um homem que vive para o reconhecimento e a glória de seu trabalho e por isso será uma grande decepção para sua família. Ele nunca foi o que as pessoas achavam dele.

A obra contém um enredo eletrizante e bem detalhado com mistérios sufocantes e com uma personagem que beira a loucura e a sociopatia, e por isso, terá que tomar a decisão de atravessar a linha entre a sanidade e a loucura total. O livro prende do começo ao fim e pode apenas parecer um pouco chato com as inúmeras informações sobre Botânica e assuntos do mundo da Patologia e afins, mas tirando isso a história é deliciosa  e muitas vezes assombrosa e convidativa para àqueles que adoram um bom suspense carregado de superstições e bruxarias .


A capa é perfeita para a tensão do livro e as raízes malignas da Árvore da Mentira que aparecem na capa completam o efeito macabro da história e que aliada a diagramação excelente com folhas amarelas e fonte bem proporcional aos meus olhos defeituosos (risos).

No geral a obra vem como um realismo fantástico viciante e aterrorizante que gera agonia e ansiedade nos leitores e que consome horas de leituras para sabermos o final arrepiante desse livro.



Um Comentário

  1. Essa capa me dá arrepios! hahaha
    Curiosamente essa é a segunda resenha que leio sobre o livro. Essa coisa macabra realmente chama minha atenção e me deixa muito curiosa. Esse lance da árvore se alimentar de mentiras é bem bacana, acho que nunca li algo parecido. Com certeza é um livro que eu gostaria de ler, pena que ele está sempre caro, pelo menos quando eu vejo está!

    Beijo
    - Tami
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